Paralelamente aos movimentos internacionais, as maiores exportadoras da América Latina, Globo e Televisa, desenvolvem seus produtos de ficção com distintos padrões tecnoestéticos. Enquanto a emissora brasileira introduz questões político-sociais em suas produções, a mexicana se utiliza de livretos cubanos e argentinos, com pouca ou nenhuma inovação. Não raro, adquire scripts originais recentemente produzidos em outras redes da América Latina.
O modelo argentino, a partir de uma lógica de produção vertical (aquela que não envolve homogeneamente os processos de concepção, produção e veiculação de um programa por parte das emissoras, ou seja, um modelo unificado de produção) encadeada pela proliferação de produtoras independentes, desenvolve-se rapidamente através da aliança com programadores nacionais.
Apenas para citar um exemplo, tem-se a Cris Morena Group e a RGB, duas produtoras de conteúdo ficcional concebidas por antigos gestores da emissora-líder Telefé, que no auge da crise de 2000 desfazem-se do negócio, vendendo ao grupo espanhol Telefónica.
Um período anterior à expansão das empresas de televisão inicia-se com a proliferação de seus múltiplos produtos no mercado internacional. A partir da década de 70 estes movimentos, concebem a terceira fase da comunicação, tanto no que diz respeito à iniciativa das corporações quanto às mais variadas organizações, que passam a incorporar a informação em seu sistema de funcionamento.
O desenvolvimento do neoliberalismo, através da liberalização, privatização e desregulamentação, impulsionaria, ainda, a transnacionalização dos capitais, especialmente pela sincronia dos mercados, devido às novas tecnologias. Grosso modo, o capitalismo reconfigurado da década de 70 segmentaria os públicos, transformando-os em consumidores.
Diante deste cenário, geram-se ações, empreendidas pelas emissoras, para o desenvolvimento de estratégias de distribuição, que por vezes também influenciam na produção. O movimento transnacional, no entanto, ocorre após o esgotamento das possibilidades de distribuição.
Com forte presença na grande de programação das emissoras de televisão, a telenovela configura-se como um lucrativo negócio para seus investidores. Sua audiência movimenta o mercado publicitário e viabiliza novos negócios aos programadores, através de merchandising ou licenciamento de produtos. Em um segundo momento, seu arranjo híbrido possibilita diversos modelos de produção, como co-produções, pré-vendas e joint-ventures.
No Brasil e no México, de forma mais grandiosa, e na Argentina, que ainda tem seu mercado em ascensão, a ficção seriada foi ferramenta fundamental na construção de monopólios e oligopólios, por parte das emissoras. A partir dos anos 1990 a comercialização de títulos e a criação de empresas extensoras das redes, especialistas na comercialização de formatos de telenovela, são as principais responsáveis para que o produto conquistasse territórios transnacionais.
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