sábado, 15 de maio de 2010

A dublagem - Parte 1

Na era atual, as fronteiras geográficas e econômicas são progressivamente superadas e a tecnologia da informação torna factível a construção de uma via de trânsito rápido de extensão mundial.

A informação trafega com rapidez e precisão, chegando instantaneamente a qualquer parte do globo terrestre, como talvez nem os maiores gênios da ficção científica imaginariam há algumas décadas.

A produção cultural e de entretenimento vive um grande momento, com lançamentos simultâneos em vários países, sem a defasagem de meses ou até anos, como ocorria em década passadas.

Com tantas oportunidades, o idioma não pode representar um entrave à comunicação. É, nesse ponto, a tradução cumpre sua missão, porém, não basta meramente traduzir, é preciso que a mensagem esteja adaptada à cultura do público alvo, ao seu modo usual de comunicar-se, para que seja compreendida de forma plena.

Surge então a dublagem, também chamada de regravação, que é o processo através do qual os diálogos originais em determinado idioma são substituídos por áudio em outro idioma, com sincronia labial e interpretação baseada naquela do ator original da novela, filme, série ou desenho animado.

Em outras palavras, o espectador assiste ao produto audiovisual no seu idioma local, como se as personagens estivessem se comunicando na sua própria língua. A regravação é resultante da mixagem (mistura) de diálogos gravados em estúdio, áudio captado na gravação original da cena, música e efeitos sonoros.

A dublagem nasceu no rastro do cinema sonoro. Os filmes eram mudos até 1927, quando chegou às telas O cantor de jazz. A começar dessa produção, o público pôde finalmente ouvir os atores.

Com a euforia produzida pelo cinema sonoro, surgiu um problema: como as plateias que não falavam inglês iam assistir aos lançamentos de Hollywood? Para contornar essa situação, grandes estúdios como a MGM e a Paramount chegaram a filmar em Paris versões francesas de longas-metragens americanos. Claro que esses filmes em duas versões eram muito caros - e ainda assim não atingiam o público dos tempos do cinema mudo.

A solução apareceu em 1930, quando os diretores Edwin Hopkins e Jacob Karol lançaram The flyer, o primeiro filme a utilizar um sistema de sonorização que permitia substituir as vozes originais por outras gravadas em estúdio.

Países europeus pegaram carona nessa invenção e soltaram os primeiros filmes dublados ainda no começo dos anos 30. No Brasil, onde os longas estrangeiros passavam com legendas, a novidade da dublagem chegou no fim da década - o grande marco foi a estreia do desenho animado Branca de Neve e os sete anões, de Walt Disney, lançado em 1937 e dublado no ano seguinte. Naqueles primórdios, os atores tinham de gravar todos juntos no estúdio, olhando para a tela sem a ajuda do som. Hoje, os dubladores gravam suas falas sozinhos, com a ajuda de um fone de ouvido onde rola o texto original.

A dublagem tem a possibilidade de adequação da interpretação (inflexões de voz, por exemplo) à cultura local, tornando as intenções de um diálogo mais claras, adicionando tons de ironia, menosprezo, satisfação, tristeza, ênfase, que talvez não ficassem tão claras em uma tradução escrita (legenda), principalmente no caso de idiomas pouco familiares aos ouvidos do espectador.

Há uma série de fatores condicionantes de ordem técnica e artística, para que uma dublagem atinja seus objetivos com eficácia, a começar pelo texto. Quer seja uma produção com fins de entretenimento ou de comunicação corporativa, o texto deve ser adaptado em termos de métrica, sincronia labial e estilo linguístico, para que pareça ser de fato dito pelos personagens na tela e soe da forma mais natural possível, como soaria no "mundo real" do espectador.

Em se tratando da tradução, os profissionais responsáveis também precisam dominar o assunto em foco - ou pesquisar sobre ele - para que a produção “conquiste” quem conhece o tema e leve informação correta e enriquecedora a quem não o conheça.

Outro fator essencial a uma boa dublagem é o elenco escalado. Adequação de timbre vocal, interpretação convincente, sensibilidade para assimilar e reproduzir a emoção do personagem em outro idioma, são características que fazem toda a diferença entre uma dublagem excelente e uma péssima.

Por isso, a dublagem é realizada por atores com a habilitação legal necessária ao exercício da profissão. Os atores são escalados e supervisionados por um diretor de dublagem, que além de também ser ator e reunir as características acima, tem a habilidade de enxergar a obra como um todo e conduzir o elenco na direção pretendida pelo diretor da produção original.

Quanto ao aspecto técnico, a gravação e mixagem de áudio (proporção entre diálogos, música e efeitos sonoros) exercem impacto fundamental no resultado final da obra dublada. É preciso que o espectador perceba "planos" diferentes de áudio, dependendo da distância em que os personagens se encontrem na cena; é preciso que haja ambientação, de acordo com o que seria a acústica natural da locação filmada na cena; é preciso que os diálogos sejam inteligíveis mesmo em meio aos ruídos (efeitos sonoros) e à musica incidental, por mais “presentes” que necessitem estar; e, muito importante, é preciso que se acredite que o som de fato sai da boca do personagem, e não do “além”. Os recursos digitais atuais permitem a experimentação até chegar-se ao ponto ideal de mixagem, possibilitando resultados realmente impressionantes em termos de qualidade, realismo e distribuição espacial do áudio.

Colaboração: Dublamax

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Alegrifes e rabujos


NOME ORIGINAL
Alegrijes y rebujos

ESCRITORA
Palmira Olguín

PRODUTORA
Rosy Ocampo

PAÍS DE ORIGEM
México

NÚMERO DE EPISÓDIOS
140

ANO DE GRAVAÇÃO
2003

ANO DE ESTREIA NO BRASIL
2004

EMISSORA
SBT

TEMA DE ABERTURA
Alegrifes e rabujos

Lá vai a menina que sempre pensa em ser fiel
a todos os sentimentos.
Foram esses olhos que um dia me fizeram ver
que o mundo está mudando.

Eu não sei o que que aconteceu mas sei que muito me agradou
sua forma de dançar e aquele jeito como me olhou.
Que magia tu e eu uma luz que se acendeu
o mistério já se resolveu.

És um alegrife a tua vida é sempre um céu azul
Tu serás rabujo se fizeres tudo sempre mal.

Alegrifes e rabujos, tu decides teu futuro.
Alegrifes e rabujos, tu e eu pra sempre juntos.

Alegrifes e rabujos…
Alegrifes e rabujos…
Alegrifes e rabujos…
Alegrifes e rabujos…

És um alegrife, a tua vida é sempre um céu azul.
Tu serás rabujo se fizeres tudo sempre mal.

Alegrifes e rabujos, tu decides teu futuro.
Alegrifes e rabujos tu e eu pra sempre juntos.


ELENCO

María Chacón: Sofia Domínguez “Chofis”

Miguel Martínez: Afonso Pascoal “Alcachofra”

Eugenia Cauduro: Mercedes

Cecília Gabriela: Mercedes (Substituta)

Miguel de Léon: Antônio Domínguez

Luis Roberto Guzmán: Bruno

Arath de la Torre: Matias Gómez

Jesús Zavala: Estevão Domínguez

Diego González: Ricardo Gómez Sánchez

Nora Cano: Nayelí Gómez Sánchez

Michelle Alvarez: Ernestina Aguuaio “Tina”

António Hernández: Pablo Maldonado “Chuletão”

Allison Lozano: Allison Rebolledo

Margarito: Réficus

Jacqueline Bracamontes: Angélica Rivera

Rosa Mariá Bianchi: Helga

Héctor Ortega: Aurélio Granados

Salvador Sánchez: Assunção “Chon”

Olivia Bucio: Teresa “Tere”

Luz Elena González: Irene

Sebastián Rulli: Rogério Díaz Mercado

Raquel Pankowsky: Consuelo

Roxana Castellanos: Elvira Sánchez

Adriana Laffan: Flor

Rubén Cerda: Fito

Wallace: Bahia


PERFIL DAS PERSONAGENS

Sofia “Chofis” (María Chacón) – menina de aproximadamente 10 anos. Muito amorosa e prestativa, gosta de ajudar seus amigos. A madrasta não gosta dela e Sofia sofre nas mãos de seu meio irmão Estevão.

Afonso “Alcachofra” (Miguel Martinez) – menino do campo, tem 10 anos. Sua avó o envia à cidade para morar com seu tio-avó Chon, pois deseja que Afonso cresça como um bom homem, aprendendo bons modos e estudando. Ele será o melhor amigo de Sofia.

Mercedes (Eugenia Caduro / Cecília Gabriela) – uma bela mulher de 34 anos, de boa família, casada com Antônio, pai de Sofia, e mãe de Estevão. Tem ciúmes de Sofia com Antônio e por isso faz de tudo para afastá-los.

Antonio (Miguel de Léon) – um belo homem de 35 anos, viúvo, casou-se com Mercedes. Pai de Sofia e Estevão, bioquímico, não tem muito tempo para os filhos e para a esposa, pois dedica a maior parte do tempo realizando pesquisas no laboratório.

Bruno (Luis Roberto Guzmán) – rapaz órfão, de 24 anos. Quando era criança vivia nas ruas, mas se esforçou muito para mudar de vida. Apaixonado pela professora Angélica, Bruno muitas vezes é cúmplice das travessuras de Sofia e Afonso.

Matias (Arath de la Torre) – tem 27 anos e é casado com Elvirita, pai de Ricardo e Nayelí. Matias não é chegado a responsabilidades, foge como louco de qualquer trabalho e vive discutindo com sua esposa, principalmente quando é cobrado.

Estevão (Jesús Zavala) – menino de 9 anos, mimado e insuportável, faz da vida de sua meia irmã Sofia um verdadeiro inferno. A mãe, Mercedes, pensa que ele é um verdadeiro anjinho.

Ricardo (Diego González) – menino de 10 anos, gosta de jogar bola e vive sonhando em um dia sair nos jornais como um grande campeão. Gosta de Sofia, por isso tem uma certa implicância com Afonso.

Nayelí (Nora Cano) – menina de 7 anos, está sempre de bem com a vida. Irmã de Ricardo. Só fica triste quando seus pais Elvira e Matias discutem.

Ernestina “Tina” (Michelle Alvarez) – menina de 9 anos, se sente inferior, acreditando não ter nada de bom para oferecer aos outros. É amiga de Sofia e gostaria de um dia ser divertida como a amiga.

Pablo “Chuletão” (António Hernández) – menino de 9 anos, simpático e muito engraçado, vive comendo e esta sempre com fome.

Allison (Allison Lozano) – menina de 10 anos, gosta de fantasiar e amedrontar as crianças, fazendo histórias inocentes virarem assustadoras. Será envolvida pela malvada Helga.

Angélica (Jacqueline Bracamontes) – bela moça de 22 anos, desde que nasceu sempre foi dedicada à música. É ingênua e pensa que seu noivo Rogério é um príncipe encantado, mas aos poucos ela se desencanta e começa a interessar-se por Bruno.

Helga (Rosa Mariá Bianchi) – mulher muito má, faz de tudo para destruir a felicidade dos outros, utiliza-se inclusive de bruxaria. É inimiga de Aurélio e das crianças.

Aurélio (Héctor Ortega) – senhor de 80 anos, passou os últimos 10 anos fingindo-se de morto. Aproveitou este período para mudar seu modo de vida, seus valores e princípios, deixou de lado as coisas materiais e passou a aproveitar o seu dinheiro para divertir-se com as crianças.

Chon (Salvador Sánchez) – tem 58 anos. Mau humorado, é tio-avô de Afonso e fiel empregado de Aurélio. Com a aproximação das crianças com seu patrão ele ficará enciumado, pois nos últimos 10 anos ele foi a única pessoa próxima a Aurélio.

Teresa (Olivia Bucio) – mulher de 49 anos. Amargurada, se considera desprezível e insignificante desde que foi abandonada pelo marido. É meia irmã da malvada Helga e mãe de Ernestina.

Irene (Luz Elena Gonzáles) – moça bonita de 25 anos, é dançarina e coreógrafa. Não acredita no amor, mas quer ter um bom moço como Bruno ao seu lado. Envolve-se com Rogério, acreditando que ele lhe dará uma boa vida.

Rogério (Sebastián Rulli) – advogado de 28 anos, bonito e de caráter duvidoso, faz de tudo para se dar bem. É noivo da bondosa Angélica, mas não a ama.

Consuelo (Raquel Pankowsky) – bondosa senhora, mãe de Angélica, é extremamente possessiva pela filha. Tem muito medo que ela não faça um bom casamento.

Elvira (Roxanaa Castellanos) – tem 30 anos, é mãe de Ricardo e Nayeli, esposa do malandro Matias. Acredita que nasceu para ser alguém importante, participa de todos os sorteios que prometam qualquer prêmio.

Cão Achú – cachorrinho simpático e travesso. Muito inteligente e especial, foi um presente de Aurélio para Afonso e Sofia.

Réficus (Margarito) – duende de aparência horripilante. Tem a pele laranja, usa roupas azuis e carrega uma maleta de ferramentas. Está sempre a serviço da malvada Helga.


INTRODUÇÃO

Bruxas, magias e casas mal assombradas, com esses ingredientes, a produtora Rosy Ocampo, que vinha do sucesso de Cúmplices de um resgate, voltava ao horário infantil com o que aparentemente foi chamado de super produção: Alegrifes e rabujos.


RESUMO

Ao lado da casa onde mora a pequena Sofia há uma mansão que desperta a fascinação dos próprios vizinhos e de estranhos que chegam por lá. Segundo conta a lenda, esta sombria casa pertenceu a um milionário excêntrico chamado Aurélio Granados, morto há muitos anos, cujo espírito, afirmam alguns, ainda ronda a mansão.

Com uma madrasta ciumenta, um pai ausente e um irmão tedioso, Sofia já possui problemas suficientes. Mas, como curiosa que é, resolve investigar se é de fato verdade que existe fantasmas na mansão. Quando ela se depara com Chon, sua coragem enfraquece. Chon é um estranho sujeito que trabalhou como empregado de Aurélio e mora até hoje na casa.

Um incidente leva Sofia a entrar às escondidas na mansão. Ela tenta recuperar um de seus mais preciosos tesouros: a foto de sua mãe, falecida quando ela era apenas um bebê.

Além de levar alguns sustos na mansão, Sofia conhece uma pessoa maravilhosa, o pequeno Afonso, sobrinho neto de Chon, que acabara de chegar do interior. Sua avó o enviou para a cidade para que Chon o ensine a ser um homem de bem. Para grande espanto de Sofia e Afonso, Aurélio não está morto. Nos últimos dez anos ele tem se divertido muito assustando toda a vizinhança.

Aurélio passou toda a vida acumulando dinheiro, prestígio, aborrecimentos e desafetos, porém resolveu mudar sua maneira de agir e pensar, tornando-se um homem muito diferente, um coração especial, com os melhores sentimentos de uma criança. Ele encontra em Sofia e Afonso a alegria que estava buscando durante seus longos anos de reclusão. Para Aurélio, Sofia e Afonso são um par de “alegrifes”, uma palavra inventada por ele mesmo, com a qual designa as pessoas que desfrutam da vida e das brincadeiras, que nunca perdem as esperanças, que compartilham nas horas boas e ruins e que acima de tudo conservam o dom maravilhoso da surpresa e da inocência. E para identificar os não “alegrifes”, Aurélio tem outra palavra: “rabujos”, que são as pessoas que somente buscam as coisas materiais, que cultivam a inveja e o egoísmo, que estão atentos a tudo, menos à verdadeira felicidade.

Assim será o percurso desta história. Os “alegrifes” tratam sempre de conservar em seu coração os melhores sentimentos da infância, opondo-se aos valores e às atitudes negativas dos “rabujos”. A simplicidade contra a complicação, a honestidade contra a corrupção, a imaginação contra a limitação e a alegria contra a adversidade e o tédio. Aurélio, Sofia e Afonso viverão incríveis aventuras, que compartilharão com outras crianças do bairro: a pequena Nayelí e seu irmão Ricardo, Ernestina, Pablo e inclusive Estevão, o antipático irmão de Sofia.

Ao conhecer a história de cada uma das crianças, e o comportamento de seus pais, que estão se transformando em uns verdadeiros “rabujos”, Aurélio decide transformar sua mansão em um clube, onde todos, adultos e crianças, possam conviver e compartilhar a magia de serem “alegrifes”. E ele contará com o apoio de excelentes colaboradores: uma bela professora de música chamada Angélica, autêntica “alegrife” – que tem como noivo Rogério, um tremendo picareta e um consumado “rabujo”; e Bruno, o instrutor de educação física que conseguiu vencer por seus próprios méritos, pois foi criado sozinho nas ruas. Entre Angélica e Bruno surgirá um terno amor “alegrife”, mas que será posto a muitas provas.

A saúde de Aurélio fica fragilizada, em grande parte devido a chegada da malvada Helga, sua antiga esposa, que o odeia. Além de ser uma “rabuja”, Helga também é bruxa. Com a morte de Aurélio, Helga vê a oportunidade ideal para apoderar-se de tudo e apagar os sonhos que o velhinho deixou semeados no clube “alegrifes”. Mas a magia (ou a imaginação) que envolvia o lugar sobrevive, criando uma fantástica, emocionante e divertida luta de forças entre os “alegrifes” e os “rabujos”.

Para triunfar contra todas as artimanhas de Helga e seus “rabujíssimos” aliados, as crianças terão como principais armas a amizade, os valores familiares, a sinceridade, a competição sadia, a música, a alegria e o amor. Somente com espírito “alegrife” elas serão capazes de sair vitoriosas dos desafios, tramas e feitiços “rabujos”.


CURIOSIDADES

Eugenia Caduro, atriz que interpretava Mercedes, ficou grávida e teve uma gravidez de muito risco, por isso foi substituída por Cecilia Gabriela no meio da telenovela.

Luis Roberto Guzmán não convenceu como galã Bruno, e o par romântico de Angélica (Jacqueline Bracamontes) passou a ser Antônio (Miguel de León).

A telenovela foi um fiasco de audiência no México e em todos os países que foi exibida, menos no Brasil. Por aqui, Alegrifes e rabujos registrou média geral de 9,2 pontos de Ibope. Chegava muitas vezes a picos de 15 e não foi uma concorrente nada fraca para a telenovela A escrava Isaura da Rede Record, que também era um sucesso.


COMENTÁRIOS

A estreia foi das mais animadoras, uma audiência excelente e um recorde inédito, a venda de mais de 100 mil discos da novela só na primeira semana de exibição. Mas bastaram algumas semanas para que toda essa maluquice afundasse com o horário, devido à história sem pé nem cabeça.

“Alegrifes” e “rabujos” eram termos inventados para designar pessoas alegres e de bem com a vida, que fazem o bem, e pessoas ruins, amarguradas e vingativas, respectivamente. Mas diferente do que Rosy Ocampo imaginou, os termos não se popularizaram. Em pouco tempo, ela conseguiu ver o primeiro fracasso de sua carreira. Alegrifes e rabujos precisaria de sérias reformulações para continuar no ar, pois sua audiência estava inaceitável.

De olho nos grupos de discussão, Rosy percebeu que o público torcia o nariz para duas coisas. A primeira delas foi a saída do personagem Seu Aurélio, o personagem havia morrido, e depois desse acontecimento, as crianças perderam o interesse na novela. A solução foi radical, ressurgir com o personagem, alterando drasticamente o rumo de toda a história, ou seja, a novela era pra ter sido bem diferente.

O outro defeito apontado nos grupos foi Luis Roberto Guzmán, que tinha pela primeira vez uma oportunidade estelar em uma novela. As crianças não queriam Bruno, o personagem de Luis Roberto, como o heroi da novela. Pensaram em transformá-lo em um vilão, mas apenas o tiraram do centro da história. A saída foi recair esse heroi para Miguel de León, velho conhecido do público infantil, e que era o “heroi” perfeito para as crianças. Com isso, também os pares foram se modificando. A protagonista adulta, Angélica deixou de amar Bruno, e se apaixonou por Antonio. O resultado ficou constrangedor, pois Angélica e Antonio não tinham a menor química juntos, e o personagem Bruno ainda por cima virou cupido dos dois.

Dessa vez, as crianças foram escolhidas no concurso Código Fama (que também é produzido por Rosy Ocampo). Nesse programa, as crianças são avaliadas nos quesitos interpretação, dança e canto. E daí saiu todo o elenco. O ganhador foi Miguel Martinez, que viveu Alcachofra, o protagonista. María Chacón, a Chofis, também esteve entre os melhores colocados. Mas o elenco esteve horrível. As crianças não tinham carisma, interpretavam muito mal e nem de perto tiveram aquele brilho dos tradicionais protagonistas de Rosy Ocampo: Martin Ricca, Belinda ou Daniela Luján. Muitos apontam como motivo do fracasso da novela a ausência desses ídolos. Entretanto, Diego González e Allisson se destacaram dentro de Alegrifes e rabujos, ao ponto de serem chamados para protagonizar a seguinte novela de Rosy: Misión SOS.

Com isso, os melhores destaques acabaram vindo mesmo do elenco adulto. Hector Ortega, para começar, nunca teve um papel tão grande e tão popular. Jaqueline Bracamontes se saiu muito bem como Angélica. Esse era praticamente seu primeiro papel na televisão.

Anteriormente, ela só fez a personagem Leonela, nos flash backs da novela No limite da paixão. Por sua atuação, ela ganhou o prêmio TVyNovelas de melhor revelação feminina. Miguel de León, mais uma vez comprovou seu carisma junto ao público, vivendo Antonio. Apesar dos exageros, Rosa María Bianchi, que viveu a bruxa Helga, deixou sua marca na novela, compondo uma vilã de caricatura, extremamente malvada.

Mas ninguém se destacou mais que a dupla Matias e Elvira, vivida pelos engraçadíssimos Arath de la Torre e Roxana Castellanos. Um casal que vivia discutindo, e planejava ser rico, acabou roubando a cena. Desde o início estava claro que a participação deles seria grande (basta ver o crédito de Arath de la Torre na abertura da novela), mas chegou a um ponto que cansou um pouco, devido ao excesso de aparições. Salvo isso, os dois serão as melhores coisas dessa novela.

Em baixa, estiveram Eugenia Cauduro, Sebastián Rulli e Luz Elena González. Eugenia Cauduro estava se saindo muito bem vivendo a madrasta Consuelo. A intenção era que ela possivelmente viesse a se regenerar mais pra frente. Mas a atriz ficou grávida, e sua gravidez era de alto risco, o que a levou a abandonar a novela. Em seu lugar, entrou Cecília Gabriela, que teve uma participação bastante estranha. O personagem ficou um pouco sem rumo. Tanto que depois de um tempo, ela sai e retorna apenas para morrer. Quando Consuelo passa a ser vivida por Cecília, é notado o quanto a personagem fica mais malvada (talvez a intenção fosse repetir o sucesso da vilã Regina, que ela interpretou em Cúmplices de um resgate).

Sebastián Rulli e Luz Elena González eram os vilões juvenis, Rogério e Irene. Estavam tão apagados, que em meio a tantas mudanças, seus personagens acabaram sobrando. Eles simplesmente saíram da novela sem maiores explicações. Raramente foram citados após a conclusão da participação de seus personagens.

A ideia era muito chamativa, todas as crianças gostam de histórias de terror, talvez por isso Alegrifes e rabujos chamou tanto a atenção no início. Mas os efeitos especiais de gosto duvidoso, em um excesso de colorido, deixou tudo aquilo parecendo mais um circo que uma história de terror. Daí o final melancólico que teve.

A superioridade de Alegrifes e rabujos em relação a Cúmplices de um resgate esteve no fato de que a história sempre foi o fio condutor da novela. Não ficaram se apoiando apenas na música. Embora, no final, para variar, Rosy Ocampo terminou a novela com o tradicional show no Estádio Azteca. De tão tradicional, já não tem graça nenhuma. Até as situações são as mesmas, eles cantam um pouco e os protagonistas infantis viram namorados (cena essa que foi cortada pelo SBT aqui).

Por falar em música, vale comentar o tema de abertura da novela, que no México, quase levou um processo, já que era considerado um plágio da música Ragatanga (gravada pelo grupo Rouge). Realmente a música estava muito parecida, desde o ritmo até a letra. No Brasil, a música de abertura foi adaptada, assim como todas as músicas da trilha da novela.

Curiosamente, no México e na América Latina em geral, a novela teve audiências vergonhosas. No Brasil, a novela não fez o mesmo sucesso de Amy, a menina da mochila azul, mas também deu audiência. E além disso, não foi uma concorrente nada fraca para a Record, que apostou suas fichas em A escrava Isaura. Tanto é, que na maioria das vezes, Alegrifes e rabujos ganhou em audiência.

Assim como no México, vários produtos foram lançados com sucesso no mercado. Esses produtos foram o que garantiu a exibição da novela no Brasil, tendo em vista que anteriormente, ela até já havia sido vetada. Foi uma bela de uma surpresa para o SBT.

Amy, a menina da mochila azul


NOME ORIGINAL
Amy, la niña de la mochila azul

ESCRITORES
Rubén Galindo e Santiago Galindo

PRODUTORES
Rubén Galindo e Santiago Galindo

PAÍS DE ORIGEM
México

NÚMERO DE EPISÓDIOS
116

ANO DE GRAVAÇÃO
2004

ANO DE ESTREIA NO BRASIL
2004

EMISSORA
SBT

TEMA DE ABERTURA
Amy, la niña de la mochila azul

INTÉRPRETE
Tatiana e Danna Paola

En un puerto muy pequeño que hay en medio de la bahía,
amarrado a un trozo de la orilla, el Bucanero va
navegando al ritmo de la brisa, persiguiendo estrellas amarillas,
con un nuevo sueño cada día que quiere hacer realidad.

Todos los secretos de este mar caben en un puño, déjame contarlos ya.
La niña de la mochila azul, como el cielo, azul como el mar.
La niña de la mochila azul, soy la chispa que te prenderá.

Noto que la Vieja Lola en la que viajaba Pancho Villa,
cuando se reúne la pandilla, echa otra vez a andar.
Donde cabe uno caben cuatro, yendo con Raúl, Neptuno y Gato,
persiguiendo el rastro del tesoro que vamos a encontrar.

Toco el cielo con los dedos cada vez que tus ojos negros vuelven a tocar mi pie.
La niña de la mochila azul, como el cielo, azul como el mar.
La niña de la mochila azul es la chispa que te prenderá.

En el manglar no hay problema, todo tiene solución,
no hay miedo, angustia ni pena que aguante otra vuelta más del reloj.
La niña de la mochila azul, como el cielo, azul como el mar.
La niña de la mochila azul, soy la chispa que te prenderá.


ELENCO

Danna Paola: Amy Granados

Eduardo Capetillo: Otávio Bitencurt

Nora Salinas: Emilia Alvarez Vega

Pedro Armendáriz Jr.: Mathias

Tatiana: Coral / Marina

Alejandra Meyer: Carlota

Lorena Herrera: Leonora Rivas

Geraldine Galván: Maria Lúcia

Nicole Durazo: Maria Paula

Alex Perea: Germano

Fabián Robles: Bruno

Alejandra Procuna: Minerva Camargo

Joseph Sasson: Raul

Carlos Speitzer: Adriano

Alejandro Tommasi: Cláudio

Sharis Cid: Angélica

Yolanda Ventura: Angélica (Substituta)

Maria Luisa Alcalá: Virgínia

Harry Geithner: César

Lucero Lander: Pérola

Isabel Molina: Mercedes

Raúl Padilla: Jerônimo

Manuel Valdés: Marcelo

Rosangela Balbó: Perpétua

Ricardo de Pascoal: Alberto

Christopher Uckermann: Orlando

Grisel Margarita: Carolina

Juan Verduzco: Romano

Álvaro Carcaño: Jacinto

David Ostrosky: Sebastião

Felicidad Aveleyra: Ana

Luis Fernando Torres: Walter

Levi Najéra: René

Raúl Sebastián: Inácio

Alejandro Speitzer: Toninho

Luciano Corigliano: Paulinho

Charly Alberto: Maciel

Ricardo Kleinbaum: Mauro

Moisés Suárez: Benito

Juan Carlos Flores: Fabiano

Julio Vega: Melésio

Roberto Ruy: Juvenal

Héctor Cruz: Roberto

Sandra Destenave: Graciela

Roberto Munguia: Ramiro

Jorge Ortin: Manuel


PERFIL DAS PERSONAGENS

Amy (Danna Paola) – filha adotiva do capitão Mathias. Amy é audaz, inocente e muito bonita. Veste-se como um menino, pois foi assim que o pai a criou. Vende colares e pulseiras, que ela mesma faz com conchinhas, para ajudar em casa. Amy sempre defende seus amigos e é capaz de tudo para vê-los felizes, mesmo que se meta em mil e uma encrencas.

Otávio (Eduardo Capetillo) – solitário e milionário que vive com a culpa de ter abandonado Marina, quando estava grávida, e agora luta para encontrar seu filho. A dor de ter perdido o amor de sua vida não lhe permite ser feliz.

Mathias (Pedro Armendáriz Jr.) – “O capitão”, como todos o chamam, é o pai adotivo de Amy. Ele a ama e sempre a viu como sua própria filha. Mathias é um homem honesto e nobre, e sempre justifica as travessuras de Amy e sua turma. Pescador de camarões, desde a morte de sua esposa passou a ter pavor do mar.

Coral (Tatiana) – morre no mar, durante um furacão, quando Amy era recém-nascida. É na realidade Marina, a mãe de Amy. Ela aparece como uma sereia, a quem Amy chama de Coral.

Carlota (Alejandra Meyer) – diretora do orfanato de São Felipe. Carlota é uma mulher amargurada, avarenta e ambiciosa. Utiliza o dinheiro das doações para as crianças em seu próprio benefício, comprando coleções de jóias. Tem voz de sargento e veste-se como uma militar.

Raul (Joseph Sasson) – garoto da capital que chega para morar no povoado, ele se encanta com Amy. Raul sempre luta pelo que quer, é muito valente e graças a Amy aprende a valorizar mais a sua família, especialmente seus pais. Junto com Amy viverá o primeiro amor.

Leonora (Lorena Herrera) – investigadora contratada por Otávio para encontrar o paradeiro de seu filho. É muito ambiciosa e mau caráter. Gosta de vestir-se elegantemente para que todos percebam que tem dinheiro. Alia-se a Cláudio para enganar Otávio.

Adriano “O gato” (Carlos Speitzer) – o Gato é um menino órfão, mas que na verdade fugiu de sua casa e mora no vagão da “velha Lola”, uma locomotiva abandonada. É inteligente e muito bom em matemática. Amigo de Amy, é um dos líderes da turma. Fascinado por aventuras, da noite para o dia se transformará no ilustre filho de um milionário.

Maria Lúcia (Geraldine Galván) – menina rica, caprichosa e vaidosa, que se sente superior a todo mundo. Maria Lúcia é inimiga de Amy e vive arrumando problemas para culpá-la.

Maria Paula (Nicole Durazo) – irmã de Maria Lúcia, Maria Paula é doce e bondosa, mas, devido a sua insegurança, finge ser como seus irmãos, pois tem medo de ser rejeitada. No entanto, ela não concorda com a maneira que tratam a turma de Amy.

Germano (Alex Perea) – membro da turma dos “Caçadores de Tesouros”. É encrenqueiro e rebelde. Falta-lhe orientação dos pais, pois na sua casa não há harmonia. É o melhor atleta e o pior aluno da escola.

Cláudio (Alejandro Tommasi) - pai de Paulinho e Germano, homem ambicioso e sem escrúpulos, não tem compaixão por ninguém. Cláudio engana Otávio para ficar com sua fortuna. Nada poderá deter sua voraz ambição de transformar-se no "“rei do camarão".

Bruno (Fabián Robles) – fiel amigo do capitão Mathias e padrinho de Amy. Bruno sempre defende os direitos de seus companheiros pescadores e também defende Mathias e Amy das críticas do povo. Está apaixonado pela professora Alma mas não se atreve a confessar, pois tem medo de ser rejeitado por não ter terminado o primário.

Emilia  (Nora Salina) – médica do povoado, dirige a clínica fundada por seu pai. É muito carinhosa e sempre se preocupa com seus pacientes. Emilia se apaixona por Otávio e luta para que seu amor possa se concretizar.

Minerva  (Alejandra Procuna) – empregada do conselho tutelar, vive ressentida com a vida. É órfã e foi muito maltratada por Carlota. Os pais de Minerva morreram quando ela ainda era mocinha. Perdeu sua infância, transformando-se em uma mulher amargurada, ressentida e ambiciosa. Minerva tenta separar Amy de Mathias para ficar bem com Carlota.

Angélica (Sharis Cid) – esposa de Fernando e mãe de Juliano. Angélica é uma mãe dedicada e disciplinadora, apesar de Fernando pedir para ela não ser tão dura. Ama os filhos e o marido e faria qualquer coisa por eles. Quando o marido fica paralítico ela vai trabalhar para sustentá-los e para arrumar dinheiro para a cirurgia de Fernando.

Virginia (María Luisa Alcalá) – dona do restaurante de Porto Esperança. Virginia é simpática e sempre está atenta a tudo. É uma mulher de caráter, sempre apoiou Manuel e seus netos. É apaixonada por Mathias.


INTRODUÇÃO

Um grande mérito de Rubén e Santiago Galindo, que pela primeira vez produziram uma novela. Mas no cinema, os dois já eram conhecidos, justamente com essa mesma história.

Rapidamente os furacões destroem cidades inteiras. A fúria dos ventos é capaz de levantar casas e torná-las como pequenos aviões de papel. Tão impressionante como a fúria, porém, é a calma e o silêncio que fica depois do furacão. Afinal tudo parece ficar imóvel, parece que o tempo para. No meio dessa calma, o capitão Mathias e sua esposa, Pérola, encontraram uma preciosa bebezinha flutuando no meio do mar. Embora Pérola e Mathias fossem felizes, o bebê deu um novo sentido em suas vidas. E assim, a batizaram com o nome de Amy.


RESUMO

Mathias, Pérola e Amy formavam uma família perfeita. Um dia estavam os três em alto mar, a bordo de um dos maiores barcos de Mathias, e de repente foram surpreendidos por uma terrível tormenta. Pérola escorregou e caiu no mar. Ao perceber que não teria como sobreviver, ela pediu a Mathias para sempre cuidar e proteger sua bebezinha.

Assim, Amy e Mathias ficaram sós. Desde então, Mathias jamais voltou a ser o mesmo, aquele grande pescador, o mais valente de Porto Esperança. Ele passou a ter grande temor do mar, um medo tão terrível que o impedia de sair novamente para pescar.

Pouco a pouco, Mathias foi perdendo tudo. Agora, o que possui é somente para comer e pagar o colégio de Amy. Cláudio, o terrível e inescrupuloso líder dos pescadores, quer tirar o único barco que restou a Mathias, o velho Bucanero.

Desde o acidente o Bucanero está ancorado próximo aos pescadores. Aos olhos de muitos, não passa de um monte de ferros flutuantes. No entanto, por incrível que pareça, Amy e o capitão Mathias aprenderam a ser felizes.

Amy tornou-se uma linda menina de oito anos. Deseja ser capitã, como seu querido pai. Para ajudá-lo, Amy recolhe conchas do mar e com elas faz colares que vende nas ruas do povoado e na praia. Quem não conhece Amy pode confundi-la com um menino, pois ela é travessa, atrevida e se veste como um marinheiro. Algumas pessoas sentem pena dela, outras a ignoram por não ter uma família comum e não morar em uma casa normal. Para Amy nada disso importa. A única coisa realmente importante é que ela e seu pai se amam.

O que Amy não sabe é que seu verdadeiro pai é Otávio Bittencourt, um nobre milionário que acabou de chegar ao porto com a esperança de encontrar o filho perdido há nove anos, durante o furacão. Otávio está com câncer e tem os dias contados. O filho, que ele pensa ser um menino, herdará a sua fortuna. Desesperado, Otávio se disfarça de palhaço na busca pela criança e conhece Amy. Os dois tornam-se grandes amigos. Otávio não imagina que na realidade a menina é sua filha.

Amy tem uma turma chamada Os caçadores de tesouros. Todas as tardes as crianças da turma fazem uma fogueira para escutar os relatos de Mathias. Assim ficam sabendo que em um lugar chamado A curva dos espíritos está enterrado um fabuloso tesouro Maia, e que ninguém conseguiu chegar até lá. Segundo a lenda, somente um nobre, de coração e espírito, montado em um corcel de ferro poderá chegar até o tesouro. Este nobre de coração é Raul, um menino que chega da capital dirigindo uma velha caminhonete que acabou ficando sem gasolina. Amy encontra uma alma gêmea, que anseia por aventuras. Aí nasce uma relação inocente e mágica.

Não muito longe do porto, numa pequena ilha, existe um imponente e pavoroso castelo, mais conhecido como Orfanato São Felipe. Lá vive uma mulher má, a temida Carlota. Ela é perversa e usa os órfãos como pretexto para obter dinheiro de pessoas caridosas. Ela utiliza o dinheiro para comprar joias, pois tem por objetivo possuir a maior coleção de jóias do mundo. Para evitar ser descoberta, Carlota se encarrega de botar medo nos meninos que moram no orfanato, com castigos severos. Mas Carlota tem um problema: para continuar recebendo donativos, terá que abrigar mais crianças. E assim ela passa a ficar de olho em Amy, uma menina cuja paternidade é duvidosa e o pai de criação tem problemas econômicos.

Graças a uma mensagem que os órfãos de São Felipe enviam em uma garrafa de cristal, Amy fica sabendo das intenções de Carlota. Desde então, a possibilidade de ser separada de seu pai vira um pesadelo. Para agravar a situação, Amy sabe que em São Felipe as crianças que não cumprem as regras de Carlota são presas em uma torre, sem comida.

Minerva, que agora é cúmplice de Carlota, quando criança também foi uma de suas vítimas. Ela é uma mulher amargurada, que passou a infância chorando trancafiada na torre mais alta do castelo esperando o dia em que um valente a resgatasse.. Ao chegar em São Felipe, Amy descobrirá que sua missão é lutar contra as maldades de Carlota. Ela terá a ajuda de Raul, da turma e de sua amiga Coral, uma linda sereia que a guiará ao longo de toda a história, indicando os “cinco caminhos de luz”. Cada um conduzirá a um universo mágico em que Amy encontrará o maior tesouro do mundo.


COMENTÁRIOS

Amy, a menina da mochila azul já pode ser considerada como uma das melhores novelas infantis que o SBT já exibiu. Conseguiu unir uma produção caprichada, um elenco afinado e o principal: uma história muito bem estruturada que uniu drama, aventura, comédia, em doses ideais.

O grande charme da história com certeza foram os vilões, cada um com sua função, todos muito bem delineados. A começar por Alejandra Meyer, que fez o tradicional papel de uma diretora de orfanato bem malvada, Alejandra Procuna, que viveu Minerva, também esteve muito bem. Do outro lado da história, a parceria de dois malvados: Cláudio, interpretado por Alejandro Tommasi e Leonora, a exuberante Lorena Herrera, também renderam ótimos momentos. Lorena Herrera, aliás, quase não esteve na novela. Já que os produtores, que também fazem um programa com pegadinhas, prepararam semanas antes de começar as gravações, uma brincadeira que ela considerou de muito mau gosto.

As crianças também se saíram muito bem. Claro, em especial Danna Paola, perfeita com sua Amy, sem ser uma criança irritante, ela era uma menina comum, e brilhou do início ao fim. E pensar que Daniela Aedo era a primeira opção. Carlos Speitzer, o Gato, também esteve muito bem com sua relação com Otávio, e muitas vezes centralizou a história.

Só quem parecia estar desmotivada com o papel era Nora Salinas. A impressão que dava é que ela fazia questão de mostrar em cena sua insatisfação com um papel tão fraco e sem graça. Frio como sempre, Eduardo Capetillo completa um dos casais mais sem química das novelas.

Cabe destacar a participação da apresentadora infantil e cantora Tatiana, que viveu Coral, a sereia que na verdade, era a mãe de Amy. Tatiana saiu-se bem, ainda que tenha sofrido um sério acidente durante as gravações. Devido as muitas horas em que ficava em baixo da água, ela teve uma paralisia facial, e ficou algumas semanas afastada da novela até seu rosto voltar ao normal.

Outro contratempo durante a novela, foi a saída da atriz Sharis Cid, que fazia Angélica, a mãe de Raul. A atriz se retirou porque foi convidada a participar do reality show Big Brother VIP. Em seu lugar, entrou Yolanda Ventura. Edith González participaria da novela, como um anjo, mas a atriz optou por protagonizar a novela adulta Mujer de madera e seu personagem foi riscado da trama.

Devido ao grande sucesso de Amy, a menina da mochila azul, Rubén e Santiago Galindo planejavam dar uma boa esticada na novela, já que a trama era responsável por levantar a audiência da novela anterior, o fracasso Alegrifes e rabujos. Mas Rosy Ocampo não permitiu (ela é diretora da área infantil da Televisa) para poder estrear logo sua novela: Misión SOS, que por sinal não conseguiu manter os índices de Amy. Nos últimos capítulos, Amy chegou a ser primeiro lugar de audiência no México, superando até mesmo as novelas da barra noturna do Canal de las Estrellas.

Aqui no Brasil, a novela também fez muito sucesso, tanto que até a Revista Veja deu destaque a história de Amy e seus amigos em suas páginas. O autor da novela Da cor do pecado, com quem Amy competia, chegou a comentar que estava impressionado com o desempenho da concorrência, e vários especialistas elogiaram a temática da novela. Amy, a menina da mochila azul também agradou como uma boneca, que vendeu bastante por sinal.

Apesar de tudo, um assunto pouco explorado na novela foi a proximidade entre Otávio e Amy, que era a filha que procurava. Os dois quase não tiveram muita relação durante a história. Mas, outro grande mérito desta trama foi ter sido uma novela que começou boa, mas ficou imperdível mesmo ao longo do tempo, e os últimos capítulos estiveram cheios de emoções. Souberam dosar fantasia e realidade, diferente de Viva às crianças, por exemplo.

Amy, a menina da mochila azul foi uma novela que não ofendeu o público com situações bobas ou absurdas, e ao mesmo tempo, não tomou o caminho muito depressivo das novelas infantis que envolvem meninas órfãs. Essa história conseguiu provar que ainda podem ser feitas boas novelas infantis.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Termos e definições de mídia

A lista a seguir fornece alguns termos e definições usados no desenvolvimento de cronogramas, objetivos e planos de mídia. Essa lista não é completa, mas contém os termos utilizados frequentemente, principalmente no meio televisivo.


AFILIADA À REDE
Estação que faz parte de uma rede maior e, assim, oferece programas em rede.

ALCANCE
Número de indivíduo (ou alguns casos, de lares) diferentes que foram expostos
a uma mensagens publicitária (ou programação) pelo menos uma vez. O alcance é quase sempre expresso por uma porcentagem da população.

ALCANCE EFICAZ
Percentual do público-alvo que foi exposto suficiente a um cronograma de propaganda para produzir algum tipo de mudança em seu comportamento (por exemplo, conhecimento, atitude ou decisão de compra).

APARELHOS DE USO
Número total de aparelhos de televisão ligadas em um programa durante determinado período de tempo (e/ou dia da semana). Esse termo costumava ser sinônimo de HUT (Households Using Television), mas devido ao crescente número de domicílios que assistem a diferentes programas ao mesmo tempo, os aparelhos em uso se referem apenas à TV em uso, e não aos domicílios.

AUDIÊNCIA
Lares ou indivíduos que assistem, leem, veem ou ouvem determinados veículos de mídia.

AUDIÊNCIA CUMULATIVA (Cume)
Essencialmente, é o mesmo que alcance. È a audiência líquida não duplicada de uma campanha (em um meio ou em uma combinação de meios). A audiência cume também é chamada de audiência não duplicada ou líquida.

AUDIÊNCIA FORA DE CASA
Público que é exposto a publicações e rádio (incluindo rádio de pilha e de carro) fora da sua casa.

CATV
Community Antenna Television Service. Veja televisão a cabo.

COBERTURA
Alcance de audiência em números.

CUSTO POR RATING POINT (C/RP)
Custo geral de compra de um ponto percentual de lares de TV (ou espectador individual). O custo é para um determinado período e para certo tipo de programa.

DAY TIME
Termo em inglês que se utiliza em programação ao falar do conjunto de emissões de programas difundidos desde as 7h30 às 18h00.

EXCLUSIVIDADES
Importante comprometimento monetário na compra de espaço ou tempo para permitir uma propaganda sem concorrentes.

FIRST-RUN SYNDICATION
Programas produzidos especificamente para um mercado. São programas originais. Veja Syndication.

FREQUÊNCIA EFICAZ
Número total de exposições necessárias para produzir uma mudança no público-alvo (ou mercado alvo).

ÍNDICE
Sistema desenvolvido para oferecer ao anunciante e profissional de marketing informação sobre algo ligado a um número-base. Em um índice, o número-base geralmente é 100, que simboliza uma média. Tudo que estiver acima de 100 (101 ou mais) está acima da média, e tudo abaixo de 100 (99 ou menos) está abaixo da média. Os números indicam a proximidade em relação à média que está o item sob estudo.

LNA-BAR (Leading National Advertiser-Brodcaster Reports)
Fonte de pesquisa que fornece, mediante pagamento de uma taxa, informações e análises para redes de televisão e rádio. É uma boa fonte sobre gastos da concorrência.

PRIME TIME (ou horário nobre, no Brasil)
Termo em inglês que se utiliza em programação ao falar do conjunto de emissões que cobrem o principal horário noturno que corresponde à máxima audiência da televisão. No Brasil varia entre 18h00 e 00h00.

RATING
Termo em inglês que significa audiência. Representa o número (percentual) de pessoas que assistem um programa específico de televisão durante um certo período de tempo, ou de pessoas expostas a algum tipo de edição impressa.

REDE
Grupo de estações (duas ou mais) sob o mesmo contrato, ou propriedade, que transmite programas. As principais redes brasileiras são: Globo, SBT, Bandeirantes, Record e RedeTV!, algumas emissoras regionais são: CNT, Gazeta, MTV, Rede Vida, Shoptime e Shoptour.

SHARE
Termo em inglês que se traduz por quota. Se define como a porcentagem da audiência que cada emissora ou programa consegue em relação às outras emissoras.

SYNDICATION
Compra ou venda de programas em uma base original. O mercado syndication inclui mais de 200 mercados de TV.

TELEVISÃO A CABO
Sistema de transmissão que distribui canais a lares individuais por meio de cabos coaxiais. As empresas a cabo frequentemente recebem sinais e os distribuem por satélite. Os programas distribuídos são reunidos por uma antena comunitária (CATV).

ZAPPING
Público de televisão comercial que muda de canal (em geral usa o controle remoto, embora isso possa ser feito manualmente) para evitar os comerciais. O zapping também ocorre quando o público-alvo grava um programa (ou seja, com o uso de um videocassete ou aparelho de DVD) e apaga os comerciais.

ZIPPING
Ocorre quando o público evita os comerciais ou propagandas em programas gravados (ou seja, fitas de vídeo ou outros dispositivos). O público “pula” o comercial utilizando a tecla fast-foward no controle remoto.

Biografia de Lucía Méndez


INTRODUÇÃO

Lucía Leticia Méndez Pérez nasceu em León, estado de Guanajuato, no México, em 26 de janeiro de 1955. Filha do engenheiro Antonio Méndez Velasco e da contadora Martha Ofelia Pérez, Luciá é irmã de Carlos Antonio, Martha Minerva e Jorge Abraham. É atriz, cantora e empresária.


SUA HISTÓRIA

Lucía Méndez começou sua carreira artística como modelo e, em 1971, realiza sua primeira atuação em Muchachita italiana viene a casarse. Já no ano seguinte recebeu o título El rostro de El Heraldo de México, dado à mulheres bonitas e bem sucedidas do México. A partir de então, devido à sua persistência, talento e esforço, recebeu diversas propostas para atuar em telenovelas.

No ano seguinte, em 1972, adentra também o mundo do cinema atuando no filme Vuelven los campeones justicieros e, em 1973, divide seu tempo atuando em duas telenovelas La maestra Méndez e Cartas sin destino além do filme El hijo del pueblo.

Em 1974 participa de dois filmes El desconocido e Cabalgando a la luna, além da telenovela La tierra. No ano seguinte consegue o papel de sua primeira personagem importante na telenovela Paloma, junto a Andrés García e Ofelia Medina. Ainda neste ano recebe o prêmio Calendario Azteca, como revelação na televisão e atua no filme Más negro que la noche.

Ainda em 1975, Lucía Méndez se torna conhecida como cantora com as canções rancheiras lançadas em seu primeiro álbum Siempre estoy pensando en ti, que chegou a vender um milhão de copias.

No ano de 1976, devido ao prêmio Calendario Azteca, recebido no ano anterior, Lucía ganha seu primeiro papel protagônico na telenovela Mundos opuestos, além de duas atuações nos filmes deste ano: El Ministro y yo e Juan Armenta, el repatriado, e a gravação de seu segundo disco, Frente a frente.

No ano de 1977, se dedica ao canto, lançando dois discos: La sonrisa del año e Presentimiento. Seu primeiro grande êxito a nível internacional foi telenovela Viviana, em 1978, ao lado de Héctor Bonilla, que foi exibida posteriormente pelo SBT, em 1985. Esta telenovela lhe rendeu a gravação de outro disco com o mesmo título da trama. Ainda em 1978, grava outro filme, intitulado The children of Sánchez e, em 1979 lança o álbum Sé feliz/Amor de madrugada.

Já em 1980 surge a inesquecível Colorina, cujo tema musical foi composto pelo cantor e compositor espanhol Camilo Sesto que, desde então, foi produtor de grandes êxitos com músicas de sua autoria cantadas por Lucía; essa foi uma telenovela de grande polêmica para a sociedade da época, onde Lucía Méndez demostrou seus dons teatrais. Esta telenovela é considerada pela revista People en Español uma das dez melhores telenovelas da historia. Ainda em 1980 lança seu álbum Regálame esta noche e o filme La ilegal, onde atuou ao lado de junto a Fernando Allende e Pedro Armendáriz.

Dois anos mais tarde, em 1982, Lucía atuou em Vanessa, ao lado de Rogelio Guerra, onde o final da trama foi inesperado e muito discutido no meio: a protagonista morreu. Além disso gravou o álbum Cerca de ti e atuou no filme Los renglones torcidos de Dios, que também contou com a atuação de Gonzalo Vega, Mónica Prado e Alejandro Camacho e recebeu o reconhecimento como Maior bilheteria do cinema mexicano.

Nos anos de 1983 e 1984 se distancia da teledramaturgia para lançar seus álbuns Enamorada e Solo una mujer, respectivamente. Este último lhe rendeu uma nomeação ao Grammy americano na categoria Best latin performance.

Ainda em 1983, por sua participação no famoso Festival Internacional da Canção de Viña del Mar, foi declarada Rainha, sendo a primeira artista mexicana a obter esse reconhecimento. É um título que a imprensa creditava ao concurso dado as mulheres com maior destaque, em um processo eleitoral organizado pelo jornal La cuarta, de Santiago.

Devido ao seu sucesso, em 1984, o Museu de Cera de Hollywood, deu-lhe o privilégio de ser a primeira artista latina a ter a sua estátua. A comunidade hispana de Miami outorgou sua Estrela na Calçada da Fama, na rua 8 e sua cidade natal, León, em Guanajuato, lhe concedeu o reconhecimento Arlequín de bronce.

Em 1985, grava o álbum Te quiero e atua no filme El maleficio 2. Além disso grava a telenovela Tú o nadie, ao lado de Andrés García e Salvador Pineda - exibida pelo SBT um ano depois, com o título Só você - que faz com que Lucía Méndez se consolide como uma das melhores atrizes da época, recebendo, inclusive, o prêmio de melhor atriz concedido pela Associação de Críticos de Entretenimento de Nova York (ACE). Graças à esta telenovela Lucía alcança reconhecimento mundial, sendo vista em vários países, como Rússia, Líbano, França, Itália, Japão, entre outros.

Em 1986, grava seu disco Castígame e recebe o prêmio ACE Award na categoria geral de Programas de Televisão, pelo Especial Lucía Méndez, do Canal 41.

Em 1988, Lucía atua na telenovela El extraño retorno de Diana Salazar, uma telenovela como algo de outro mundo, segundo declarações da atriz que recebeu outro ACE Award como melhor atriz de 1989. Ainda em 1988, grava seu disco Mis íntimas razones e contrai matrimônio com o produtor Pedro Torres, de quem viria a se divorciar em 1996. Desse matrimônio nasce seu filho Pedro Antonio Torres Méndez. No ano seguinte, em 1989, Lucía lança o disco Lucía es Luna morena.

Já no ano de 1990, Lucía grava a telenovela Amor de nadie ao lado de Fernando Allende. Esta foi a primeira telenovela a tratar sobre o tema da AIDS, e que apresentou a estreia de Saúl Lisazo e de Bertín Osborne no México. No ano seguinte, Lucía grava se álbum Bésame.

Em 1992, com a permissão da Televisa, ela se muda para Miami para atuar em telenovelas da rede de televisão hispana Telemundo, onde grava a telenovela Marielena e alcança sucesso nos Estados Unidos. Marielena foi transmitida no México no ano de 1994 pela TV Azteca, e por isso a Televisa decide vetar Lucía Méndez por vários anos. Este trabalho proporcionou outros prêmios ACE em 1993, como o Figura feminina do ano e Melhor performance feminina. E, neste mesmo ano grava seu disco Se prohíbe.

Em 1994, pela Telemundo, protagoniza no México e em Porto Rico a telenovela Señora Tentación que lhe rendeu um disco homônimo.

Já em 1996, para a grande surpresa de todos, Lucía Méndez regressa ao México firmando um contrato de cinco anos com a TV Azteca, onde gravaria dois anos depois Tres veces Sofía, ao lado de Omar Fierro. Sua atuação lhe valeu receber novamente o prêmio ACE como Figura internacional feminina do ano. Pala mesma TV Azteca realiza no ano 2000, a telenovela Golpe bajo, junto a Rogelio Guerra, Salvador Pineda, Margarita Isabel e Javier Gómez.

Ainda em 1996, Lucía volta ao cinema para gravar o filme Confetti e, em 1998, reaparece no mundo musical com o álbum Todo o nada, que a colocou nas primeiras posições das rádios. E, no ano seguinte lança Dulce romance, um disco de boleros.

Em 2001 participou junto a várias figuras hispanas em um tributo musical composto por Gian Marco e gravado em Miami em 27 de setembro, que serviu de apoio as vítimas do atentado de 11 de setembro do mesmo ano.

Em 2003, Lucía ganha a nacionalidade estadunidense e tem sua residência em Miami, onde vive com sua família. Já no ano de 2004, reaparece com o disco mais versátil de sua carreira: Vive. Neste mesmo ano contrai seu segundo matrimônio, desta vez com Arturo Jordán, de nacionalidade cubano-americana, tal casamento duraria até 2007.

No ano de 2006, lança sob a marca de cosméticos Fuller, seu perfume Vivir by Lucía Méndez, que, dentro de semanas vende 600.000 frascos. Que além do México, foi lançado em nível mundial, alcançando reconhecimento do New York Times. O mesmo foi premiado em Nova York em agosto de 2009 como a melhor e mais importante essência a nível mundial, isso de acordo ao jornal El financero, do México.

No ano de 2007, Lucía empresta sua voz e experiência para dar vida a todos os personagens no áudio-livro Malinche, da escritora mexicana Laura Esquivel, pelo qual, foi reconhecida pelo júri de intelectuais de Nova York com o prêmio The latino book awards; igualmente pela APA (Audio Publisher Association).

Ainda em 2007, regressa à Televisa com uma personagem na telenovela Amor sin maquillaje, celebrando os 50 anos da telenovela no México, e trabalha na Argentina na versão hispana de Desperate Housewives para a rede Univisión dos Estados Unidos, onde fez o papel de Alicia Arizmendi, a narradora da série.

Em 2008, Lucía Méndez fez parte do elenco da série Mulheres assassinas - produzida por Pedro Torres, baseada na série dramática argentina de mesmo nome - dando vida à uma prostituta no capítulo de Cândida, esperançada. Segundo sua própria declaração e de acordo com o jornal El universal, do México, este foi o papel mais forte que já interpretou em sua carreira e, embora a princípio hesitasse em fazê-lo, decidiu aceitar o desafio, porque se tratava de uma denúncia, uma reclamação para a sociedade, e era hora de fazer coisas mais comprometedoras.

Ainda em 2008, fez sua turnê pelos Estados Unidos, onde percorreu diversas cidades em apoio a comunidade gay, sendo chamada de Rainha das rainhas em sua campanha para evitar mais suicídios entre os adolescentes que não se sentiam aceitos pela sociedade ou compreendidos por seus pais.

Para 2009, Lucía lança uma edição em CD e DVD intitulado Otra vez enamorada, que inclui os temas que marcaram sua trajetória como cantora, tais como Corazón de piedra, Alma en pena, Margarita e Culpable o inocente, dos que realizou uma versão moderna junto a músicos destacados. Igualmente inclui o tema Un nuevo amanecer, escrita e produzida por seu primogênito Pedro Antonio Torres Méndez.

Ainda em 2009, a revista TVyNovelas lhe concede outro reconhecimento em seu 30º aniversário, como parte das trinta figuras que têm impactado a televisão mexicana fora do México. No mesmo ano, nos Estados Unidos, a Associação GLAAD (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation) lhe concede reconhecimento especial por sua campanha de apoio a prevenção de suicídio de adolescentes gay.

Também em 2009, participou especialmente em cinco capítulos da telenovela Mi pecado, do produtor mexicano Juan Osorio. Adicionalmente seu tema Un nuevo amanecer serve de marco musical para a personagem que interpreta na história.

Em junho deste ano, durante a 48º edição de entrega dos prêmios Palma de Oro, recebeu por parte do Círculo Nacional de Jornalistas do México as Palmas de Oro em homenagem à sua trajetória artística e, no mês seguinte, recebeu a premiação Diosa de Plata, que lhe foi atribuída pelos jornalistas de cinema do México pela sua carreira no cinema extensivo e sua notável carreira no teatro e na televisão.

No final deste ano de 2009, recebeu em Tapachula, México, junto a mais onze mulheres, o reconhecimento La choca de oro, entregue pela SOGEM (Sociedad General de Escritores de México).

Recentemente tem à venda um novo produto chamado Oxivivir de Lucía Méndez, um tratamento com oxigênio líquido que pode ser ingerido pelas mulheres de meia idade para parecerem mais radiantes. Foi lançada também no final de 2009, uma máscara para alongar os cílios, chamada Rimel by LM.

Em janeiro de 2010, Lucía é declarada como a nova Rainha dos mariachis, em comemoração ao 21º aniversário do Dia mundial do mariachi e ainda este ano participa em dois episódios da telenovela Llena de amor produzida por Angelli Nesma Medina, um remake da telenovela venezuelana Mi gorda bella, de 2002.


SUAS ATUAÇÕES

TELENOVELAS


2010 - Llena de amor (Eva)
2009 - Mi pecado (Inés)
2007 - Amor sin maquillaje (Lupita)
2000 - Golpe bajo (Silvana)
1998 - Tres veces Sofía (Sofía)
1994 - Señora Tentación (Rosa)
1992 - Marielena (Marielena)
1990 - Amor de nadie (Sofía)
1988 - El extraño retorno de Diana Salazar (Diana/Doña Leonor)
1985 - Só você (Raquel)
1982 - Vanessa (Vanessa)
1980 - Colorina (Colorina/Fernanda)
1978 - Viviana (Viviana)
1976 - Mundos opuestos (Cecilia)
1975 - Paloma (Rosa)
1974 - La tierra (Olivia)
1973 - La maestra Méndez
1973 - Cartas sin destino
1971 - Muchacha italiana viene a casarse

SERIADOS

2009 - Tiempo final - Terceira temporada (Deborah)
2008 - Mujeres asesinas (Cándida)
2008 - Amas de casa desesperadas (Alicia)

FILMES

1996 - Confetti (Coco)
1985 - El maleficio 2 (Marcela)
1982 - Los renglones torcidos de Dios (Alice)
1980 - La ilegal (Claudia)
1978 - The children of Sánchez (Marta)
1976 - Juan Armenta, el repatriado (Julia)
1976 - El ministro y yo (Barbara 1)
1975 - Más negro que la noche (Marta)
1974 - El desconocido
1974 - Cabalgando a la luna
1973 - El hijo del pueblo (Carmen)
1972 - Vuelven los campeones justicieros


SUA DISCOGRAFIA

2009 - Mis grandes éxitos: Otra vez enamorada… con un nuevo amanecer
2007 - Malinche (Audio-book)
2004 - Vive
1999 - Dulce romance
1998 - Todo o nada
1994 - Señora Tentación
1993 - Se prohíbe
1991 - Bésame
1989 - Lucía es Luna morena
1988 - Mis íntimas razones
1986 - Castígame
1985 - Te quiero
1984 - Solo una mujer
1983 - Enamorada
1982 - Cerca de ti
1980 - Regálame esta noche
1979 - Sé feliz / Amor de madrugada
1978 - Viviana
1977 - La sonrisa del año
1977 - Presentimiento
1976 - Frente a frente
1975 - Siempre estoy pensando en ti


SEUS PRÊMIOS

2010 - Nomeada entre os 50 mais belos pela revista People en español
2010 - Rainha dos Mariachis
2009 - Diosa de Plata por sua carreira no cinema extensivo e sua notável carreira no teatro e na televisão
2009 - Las Palmas de Oro em homenagem à sua carreira artística
2009 - Título de Embaixadora de Acapulco
2009 - Menção honrosa concedida pela Gay & Lesbian Alliance Against Defamation por sua campanha de apoio na prevenção do suicídio
2009 - Reconhecida pela revista TvyNovelas como uma das 30 figuras que deixaram sua marca na televisão mexicana e internacional
2005 - Prêmio Casandra Internacional como reconnecimento de sua carreira
1999 - Prêmio ACE como Figura femenina internacional do ano por seu papel em Tres veces Sofía
1998 - Disco de ouro pela venda de 100.000 unidades de Todo o nada
1993 - Prêmio ACE na categoria de Variedades como Melhor atuação femenina
1993 - Prêmio ACE como Figura femenina do ano por seu papel em Marielena
1987 - Mister amigo pela comunidade de Brownsville - Texas/EUA como Artista do Ano
1986 - Prêmio ACE na categoria de Televisão Geral pelo programa Especial de Lucía Méndez
1985 - Best latin performance
1984 - Arlequim de Bronze
1984 - Estátua no Museu de cera de Hollywood
1983 - Reina de Viña del Mar
1982 - Las Palmas de Oro por altas vendas de discos
1982 - Vocero de popularidad por altas vendas de discos
1982 - Discometro por altas vendas de discos
1982 - Reconhecimento a Maior bilheteria do Cinema mexicano (Los renglones torcidos de Dios)
1974 - Diosa de Plata do cinema mexicano na categoria de Revelação femenina (El desconocido)
1972 - Calendario Azteca como revelação na televisão
1972 - El rostro del Heraldo de México

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A hora e a vez dos dublês


A vida de artista de televisão não tem sido fácil, ou melhor, a vida dos dublês que atuam em cenas de sequestros, perseguições, saltos de grandes alturas, tiroteios, etc. Diferentemente dos dublês de ação, usados no cinema e que não têm a necessidade de serem parecidos com o ator principal, o dublê de corpo, usados pelas novelas, precisa ter alguma semelhança ou estar disposto a mudar o visual.

No entanto, o glamour das telonas se repete na televisão: eles arriscam a vida e passam horas treinando rolamentos, saltos mortais, quedas, para-quedismo, pilotagem, mergulho e tudo mais. Perseguição, briga ou tiroteio entre mocinhos e bandidos, mesmo que seja de mentirinha, pode exigir dos atores um preparo físico sobre-humano para que a cena mostre o realismo necessário.

Em produções mais antigas, os dublês normalmente eram pouco focalizados ou seus rostos não eram exibidos, a finalidade disso era esconder do público que aquela cena era feita por um dublê e não pelo ator principal. Ainda hoje este método é bastante utilizado, mas as possibilidades do uso da computação gráfica em produções artísticas cresceu muito e é perfeitamente possível fazer um dublê ficar praticamente idêntico ao ator principal. A desvantagem é que computação gráfica deste nível é muito cara e sua produção é lenta.

O trabalho de dublê é perigoso, ferimentos são comuns e mortes acontecem com mais frequência do que deveriam. Criar uma ação realista em geral envolve ações de alto risco, treinamento e tecnologia ajudam a fazer as acrobacias muito mais seguras do que nas décadas passadas, mas se todas as cenas de ação fossem perfeitamente seguras, dublês simplesmente não seriam necessários.

Um dublê é chamado para um estúdio de cinema ou televisão quando a cena requer habilidades ou envolve riscos que vão além da capacidade do ator, ou mesmo se ele não estiver disposto a correr. Por exemplo, se o roteiro requer uma luta de espadas, é mais seguro e, em geral, mais barato usar um dublê com experiência em simulação de combate, do que gastar semanas ou mesmo meses treinando o ator para lutar. Se o personagem principal de um filme cai de um prédio, os dublês não têm apenas a experiência para cair com segurança, mas, se por acaso se ferirem, sua ausência não atrapalhará toda a produção do filme. Portanto, o uso de dublês por diretores faz sentido economicamente.

Os dublês profissionais de novelas costumam fazer parte de agências especializadas. Em São Paulo, a Dublês Brasil é quem presta serviço para as novelas do SBT. As outras emissoras, como Record e Globo, contratam agências cariocas como a Só ação e a Alex dublês.

Anderson de Souza, coordenador da equipe paulistana da Dublês Brasil, acredita que a profissão está em processo de crescimento no país já que antigamente esses profissionais dependiam somente das novelas e hoje participam também de alguns filmes, apesar de serem poucos, e em publicidades.

A vida do dublê num estúdio de cinema não é muito glamurosa: os dias são longos, algumas vezes chegando a durar catorze horas ou mais; uma cena pode ser rodada em uma situação desconfortável: eles podem ter que passar horas parcialmente submersos na água ou ter que fazer uma filmagem em uma montanha gelada ou num deserto escaldante.

Os salários dos dublês podem variar amplamente com base na sua experiência e na atuação que irá fazer em uma determinada produção. Apenas alguns poucos dublês altamente qualificados chegam a ganhar salários anuais na faixa de seis algarismos.

Segundo Anderson o salário de um dublê varia de acordo com o número de trabalhos que ele faz e o nível de risco. Uma cena de tiroteio de novela, por exemplo, sai em torno de R$ 450, já um capotamento pode chegar a R$ 3 mil. O que paga melhor são os trabalhos de publicidade, que são mais desgastantes e repetitivos.

Algumas cenas podem ter que ser filmadas várias vezes para que a câmera possa capturar ângulos adicionais ou porque alguma coisa não ficou exatamente como deveria na primeira tentativa. Porém, com vários tipos de cenas perigosas, não é muito prático fazer muitas retomadas. Se a perseguição acaba com uma explosão e uma batida de carro, torna-se caro destruir vários carros para capturar a cena perfeita. Além disso, cada vez que se pede a um dublê para repetir uma cena os fatores de risco se multiplicam. Essa é outra razão para tanto planejamento e ensaio nas cenas em que se exige dublês. A equipe tem que garantir que a cena saia certa na primeira tentativa para evitar retomadas custosas e arriscadas.

Não existe um Oscar para o trabalho dos dublês, mas a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas oferece um Emmy aos coordenadores de cenas com dublês (mas não aos dublês, propriamente ditos). As razões dadas para não haver um Oscar variam, desde a intenção de não tirar o anonimato e a ilusão proporcionada pelo trabalho do dublê, até o desejo da academia de cinema de cortar o número de prêmios e encurtar a cerimônia de entrega do Oscar, ao invés de acrescentar mais prêmios.

Porém, a Fundação Taurus World Stunt Awards não apenas premia dublês em um show anual, mas também oferece suporte financeiro aos dublês do mundo todo que sofreram ferimentos durante o trabalho.


Veja algumas técnicas utilizadas por esses profissionais:

Móveis contra dublês: Os móveis que nas cenas de briga são lançados pelos dublês um contra o outro são feitos de material sintético, quase mais leve que o isopor.

Rolamento em carros: O segredo quando um dublê é atropelado e rola sobre o carro é o seguinte: o motorista dá uma pequena freada quando vai encostar no dublê para baixar o bico do carro, o dublê se joga em cima e o motorista acelera para ele rolar para trás.

Disparos: Quando um ator vai atirar no dublê para ele morrer utiliza bala de festim, nessa mesma hora o dublê aperta um controle em sua mão que faz uma bolsa de sangue falso estourar em sua parte que será baleada.

Correndo com fogo: Quando um ator vai correr com fogo em si deve utilizar muita proteção: em sua roupa é colocada cola de sapateiro e em seguida passa-se um gel nas partes expostas. Em cima de sua roupa é posto um macacão anti-fogo e outro macacão, como os utilizados por pilotos de fórmula 1. Em seguida se veste o figurino do ator.

People meter - O medidor de pessoas

O people meter, também conhecido como audímetro, é um aparelho que conectado a alguns aparelhos televisores mede a audiência de maneira permanente e automática, gerando dados que são utilizados para pesquisas de estatísticas.

O aparelho foi inventado em 1936 por Robert F. Elder e Louis Woodruff, ambos professores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos. Em um primeiro momento, a função do audímetro era realizar medições do número de aparelhos de rádios ligados e registrar a emissora que sintonizavam. Estava conectado ao dial do rádio e gravava em um rolo de papel os dados obtidos.

A primeira empresa a se dedicar a este sistema de medição foi a The Nielsen Company, nos anos quarenta. Técnicos da empresa recolhiam diariamente os rolos de papel para estudá-los e os trocavam por novos. Posteriormente substituiu-se os rolos de papel por películas de 16mm, o que simplificava a tarefa de reposição e reduzia o gasto econômico consideravelmente, já que os próprios usuários do audímetro podiam repô-los.

A partir dos anos cinquenta, o audímetro se consolidou como medidor de audiências na televisão e, desde então, se dedicou exclusivamente a ela, ganhando precisão. A empresa Nielsen chegou a desenvolver cerca de duzentos modelos, dos quais somente vinte e quatro resultaram finalmente operantes.

No Brasil, para se medir a audiência o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) mobiliza a população de dez capitais (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Fortaleza, Recife e Salvador). Após sortear as casas, o IBOPE entra em contato com os moradores, que não recebem nada por isso, e pede autorização para instalar o people meter nos televisores. À medida que identifica o canal, este envia um sinal de rádio-frequência à central, que coleta os dados automaticamente e os transmite aos assinantes do instituto, ou seja as emissoras de TV, via rádio-frequência ou pela Internet.

O IBOPE é líder na aferição de audiência de televisão e rádio no Brasil e na América Latina. Desde 1942, quando foi realizada a primeira pesquisa de audiência no país, o IBOPE aprimora seus serviços e oferece a maior gama de produtos para atender às necessidades de veículos, agências e anunciantes.

As pesquisas de audiência do IBOPE abrangem os seguintes meios: televisão aberta (em treze países da América Latina), televisão por assinatura, rádio, Internet e jornal.

A pesquisa de audiência de televisão aberta estuda mais de 3.500 domicílios no país, localizados nas principais regiões metropolitanas a partir de uma amostra montada com os dados do censo demográfico brasileiro, análise realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e dos estudos socio-demográficos do próprio IBOPE Mídia.

Por meio dessas pesquisas para televisão aberta é possível coletar os mais diversos tipos de informação, como participação sobre o total da audiência e sobre a audiência total do gênero; tempo médio que o telespectador passa assistindo à televisão; alcance; frequência; duplicação; exclusividade; índice de afinidade; índice de adesão; análise de audiência light medium e heavy; assiduidade; média de eventos; fidelidade e fluxo de audiência entre um programa e outro na sequência da programação.

Em abril de 2001, o IBOPE Mídia divulgou os primeiros dados oficiais sobre medição de audiência dos canais de televisão por assinatura. A metodologia utilizada nas análises de audiência é basicamente a mesma da televisão aberta. Nesta modalidade são pesquisadas a porcentagem e a localização das pessoas que possuem serviço pago; são levantadas informações sobre a operadora que presta o serviço e sobre seus usuários: desde quando a pessoa recebe os serviços daquela operadora, desde quando a pessoa tem os serviços de televisão paga mesmo que com outra operadora, o grau de satisfação com os serviços contratados, entre outros.

Colaboração: Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE)

terça-feira, 11 de maio de 2010

Do melodrama à telenovela - Parte 2

Sobre a origem das telenovelas parece não existir controvérsia: alguns especialistas no assunto coincidem em situá-la dentro deste gênero denominado melodrama, já que as duas fontes que as compõe: o teatro e a literatura, provém justamente desta forma artística.

É certo que duas trajetórias, a dramática e a literária, têm seguido as telenovelas que conhecemos e estas têm se entrelaçado e evoluído com o desenvolvimento do próprio avanço tecnológico da televisão, permitindo, assim, a gravação em mídias, o que impulsionou a comercialização de uma mesma obra em diversos países e sua tradução a idiomas diferentes.

A telenovela é descrita como um melodrama que respeita os elementos narrativos básicos do romance literário, ainda que dividido em capítulos, para seriar a trama, e episódios que, por sua vez, são fragmentados para poder introduzir anúncios publicitários que, usados como gancho para o suspense, mantêm o interesse do telespectador.

Isto nos leva diretamente a observar a relação entre a telenovela e o telenoveleiro (pessoa que gosta e é assíduo receptor do gênero), como um processo de desenvolvimento evolutivo, uma relação que tem se dado ao longo do tempo. É certo que a história da telenovela tem mudado e o público, reflexo da sociedade ou uma parte da mesma, muito tem contribuído para esta mudança, que exige e reforça seus valores através de situações e soluções que se dão em suas histórias.

Mas, para se entender o gênero da telenovela tal como é exibida atualmente, convém voltar alguns séculos na história e analisar a estrutura básica do melodrama, que foi o sucessor da tragédia e ajudou a definir o perfil estilístico que viria a ser aplicado na novela a partir de 1941, no Brasil, e na telenovela a partir da década de 50, com a inauguração da televisão brasileira.

Nessa fase de estreia, o gênero surge através de histórias folhetinescas e melodramáticas, cujo foco principal de alcance era o público feminino, composto em sua extensa maioria por donas-de-casa.

Até atingir o posto de um dos programas de maior audiência da televisão brasileira, a telenovela foi antecedida por diversos gêneros que foram lhe cedendo algumas de suas características. Os principais antecedentes da telenovela podem ser assim definidos: o romance europeu do século 19; o romance em folhetim também do século 19; a radionovela (soap opera americana); a fita-em-série norte-americana; a dramatização radiofônica de fatos reais; a fotonovela; as histórias em quadrinhos e o melodrama teatral. Além destes, de acordo com estudos de diversos autores a origem da telenovela está ligada também ao circo e à cultura verbal popular e à literatura de cordel.

A telenovela brasileira foi também, com o tempo, se desligando dos seus modelos mais tradicionais, como os mexicanos, cubanos e argentinos. Hoje com identidade e características próprias, a novela brasileira tem a intenção específica de aproximar-se cada vez mais da realidade do país. Essa categoria de ficção televisiva conseguiu se desenvolver como gênero e um fenômeno na televisão, com marcas genuinamente nacionais.

Atualmente, a telenovela brasileira reúne uma vasta opção de estilos que vai desde a comédia, passa pela crítica social, pelo enfoque da tragédia urbana, até as adaptações literárias, e as novelas de época.

Cassiano Gabus Mendes, falecido ator, roteirista, diretor, produtor, sonoplasta, contrarregra e autor de telenovelas brasileiras e adaptações latinas, descreveu os elementos principais que propiciaram a construção das características próprias da telenovela no Brasil, adaptando a teledramaturgia mais à realidade brasileira do que à matriz melodramática:

a) Anti-heroi como protagonista;
b) Linguagem coloquial, com expressões e gírias;
c) Trilha sonora com músicas pop;
d) Interpretação naturalista, sem gestos e entonações excessivamente dramáticos;
e) Cacos, ou seja, improviso, palavras ou frases que não constavam do script;
f) Referências a fatos reais com personagens que comentavam notícias de jornais;
g) Merchandising.

O crítico e historiador da televisão brasileira Artur da Távola definiu criteriosamente o perfil da telenovela brasileira. Em seis tópicos, esse seria o padrão do “produto novela” a que milhões de brasileiros consomem diariamente:

1) Destina-se a um consumo indiscriminado. Enquanto havia apenas a tecnologia do livro, este, necessariamente, discriminava o consumo, pois só chegava aos letrados. A telenovela chega ao culto e ao não culto;
2) Vive da aceitação do mercado. O telespectador é pesquisado, conhecido, logo sua opinião tem peso;
3) Seu mercado se manifesta ao longo dos capítulos e precisa ser permanentemente consultado por pesquisas;
4) A produção precisa obedecer a um veloz andamento para não comprometer o fluxo dos demais programas. A telenovela, na sua realização, possui um ritmo industrial sendo, portanto, muito mais um serviço dramatúrgico do que, propriamente, uma categoria estética;
5) As proposições estéticas e culturais devem-se enquadrar no repertório conceitual do público. Jamais, numa telenovela, o autor pode fazer um discurso isolado, sem estabelecer, para o que queira dizer, pontes de relacionamento com o público;
6) Dificilmente a telenovela é obra de um criador isolado. O resultado final depende da equipe realizadora e dos propósitos e condições oferecidas pelo canal produtor, embora, por outro lado, apesar disso, possa haver a presença estilística dos autores, marcando acentuadamente o produto.

A novela é condicionada aos rigores da audiência e do patrocinador, já que a televisão opera dentro de padrões industriais, onde se busca atingir o maior número de espectadores no menor espaço de tempo possível. Todavia, a criatividade do autor e o seu domínio por um enredo bem amarrado e que emocione o público ainda são essenciais na produção desse gênero televisivo.

Cada vez mais, acompanha-se o desejo dos autores de darem grande ênfase ao realismo nas novelas, estimulando a sociedade a debater questões emergentes da atualidade, a enriquecer a reflexão sobre temas polêmicos, promovendo discussões que geram tensão e troca de ideias.

Nesse sentido, essas seriam algumas das características realistas presentes na narrativa das telenovelas:

a) A ação das tramas tem de ser de grande intensidade, mostrando a luta dos bons contra os maus para a vitória da verdade;
b) Personagens e fatos semelhantes às pessoas e à vida cotidiana. As telenovelas reproduzem a fala coloquial e reportam-se constantemente a fatos que estão ocorrendo no período em que estão no ar;
c) O homem é produto do meio: o personagem age conforme o seu ambiente;
d) As personagens agem sempre de acordo com a sucessividade dos fatos e presos a modelos estereotipados. É rara a presença de personagens com densidade psicológica nas telenovelas;
e) As ações são descritas com o maior detalhamento possível, objetivando mostrar a realidade com a máxima fidelidade;
f) Sequência lógica na apresentação dos episódios que constituem o enredo. As telenovelas encadeiam as tramas e sub-tramas de maneira que o espectador jamais se perca nas subjetividades’ da narrativa.

Referindo-se especificamente ao México, é importante mencionar que a telenovela tem um de seus antecedentes na época de ouro do cinema mexicano, onde o melodrama se desenvolveu com toda sua riqueza. Os melodramas no México, ainda hoje, têm alcançado grande auge em forma de telenovelas, e tem se diversificado em subgêneros como: telenovela infantil e juvenil, telenovela educativa ou telenovela histórica. Dada a vitalidade com que continua se apresentando, podemos pensar que no futuro certamente haverão muitas surpresas.

Do melodrama à telenovela - Parte 1

O termo melodrama tem significados muitas vezes contraditórios e é aplicado com diferentes significados a formas artísticas diversas e ocorrências variadas e/ou em distintas ocorrências dentro dos meios de comunicação de massas. Originário do grego, o termo refere-se, algumas vezes, a um efeito utilizado na obra, outras como estilo e outras como gênero. Existe desde o século 17, principalmente na ópera, no teatro, na literatura, no circo, no cinema, no rádio e na televisão.

O melodrama teatral surge oficialmente como gênero em 1800, com a obra Coeline, de René-Charles Guilbert de Pixérécourt - ainda que alguns afirmem que o melodrama já havia nascido com Pigmalião, de Jean Jacques Rousseau (1712-1778) - definindo um tipo complexo de espetáculo cênico iniciado após a Revolução Francesa. Utilizava-se de máquinas, cenas de combate e danças para construção de suas cenas e contava, em sua construção dramática, com a alternância de elementos da tragédia e da comédia.

O melodrama teatral surgiu com grande sucesso de público em temporadas que, pela primeira vez na história do teatro, ultrapassaram as mil representações, isto o fez o primeiro gênero teatral de características internacionais. Seu fundador é o dramaturgo francês René-Charles Guilbert de Pixérécourt (1773-1844) e os principais representantes em outros países são: o inglês Thomas Holcroft (1745-1809), seu introdutor na Gran Bretanha, o alemão August Friederich von Kotzebue (1761-1819) e Dion Boucicault (1822-1890), nos Estados Unidos.

Seu sucesso duradouro o tornou o principal gênero teatral e literário do século 19 e, posteriormente, fez com que o melodrama teatral fosse absorvendo e exportando elementos a todos os estilos, formas e gêneros artísticos que surgiram durante este período, principalmente o folhetim.

Ao final do século 19, as novas propostas estéticas que surgiam, entre elas o naturalismo, acabaram negando muitas das formas super utilizadas de interpretação do melodrama, que foram consideradas anti-naturais, o que disseminou um excessivo valor negativo a tudo que fosse considerado melodramático, que se tornou sinônimo de uma interpretação exagerada, anti-natural, assim como de efeitos de apelo fácil à plateia. O início da cultura de massas no século 20 veio trazer mais confusão a este gênero de sucesso.

O melodrama no cinema aporta diferentes significados, os filmes de aventura e ação das duas primeiras décadas do século 20 eram chamados de melodrama naquela época e foi o gênero de grande sucesso durante a fase muda do cinema, com grande influência do teatro popular, de onde vinham a maioria de seus artistas.

Também no melodrama está a origem das radionovelas e das telenovelas. Com o surgimento das novelas de rádio e posteriormente as de televisão, o termo acabou se generalizando como um sinônimo de certo tipo de produção cultural que procurava efeitos fáceis e conhecidos de envolvimento do público, com a utilização de fundos musicais que procuravam induzir a plateia ao choro ou ao suspense, com um sentimentalismo exagerado.