quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Quando o México conquistou o mercado externo?


Logo após a chegada do videoteipe no México, no final da década de 1950, teve início a exportação de telenovelas, quando a televisão ainda era em preto e branco e os capítulos tinham apenas 30 minutos diários. Nessa etapa artesanal, as produções tinham traços parecidos, já que utilizavam textos do rádio ou do cinema e a mesma tecnologia. A produção era destinada principalmente ao mercado local ou, em menor escala, aos países do continente americano.

No México, a primeira a chegar ao mercado externo, nos anos 60, foi Gutierritos, da Televisa, na época Telesistema Mexicano. Nesse período as telenovelas mexicanas, até a década 70, tinham muitas vezes mais de 300 capítulos. No começo dos anos 80 a média padrão passou a ser de 140 a 160 capítulos. Todas as 103 telenovelas dessa década foram exportadas.

Entre 1970 e 1980, o gênero atinge o caráter decididamente industrial e de principal produto de exportação, ainda que apenas para o próprio continente, em diversos países, passando a ser transmitidas com maior intensidade. Na etapa industrial, cada país começa a adotar formas específicas de narrar uma história, com aspectos correspondentes à cultura do país produtor. México, Venezuela e Brasil destacam-se como os principais produtores e exportadores de telenovelas.

Foi em 1979 que o México se definiu como um produtor dramático para fins de exportação ao vender o maior sucesso de todos os tempos, visto em aproximadamente 130 países, Os Ricos também Choram (foto), com Verónica Castro e Rogelio Guerra. A trama chegou à Espanha, França, Itália, Suíça, Rússia, China e ao Brasil, que, a partir daí, começou a transmitir os sucessos mexicanos.

Do mercado latino-americano e do latino nos Estados Unidos tomam conta, em primeiro lugar, México e, mais tarde, a Venezuela. O alvo do Brasil começou na Europa - cujo mercado televisivo está cada vez mais aberto às telenovelas latino-americanas e às soap operas dos Estados Unidos - para depois atingir a América Latina.

Para os europeus, que estão acostumados a ritmos bem mais lentos de produção, seria muito mais caro produzir telenovelas diárias do que comprá-las. Diferentemente da América Latina, onde os profissionais são capazes de finalizar um capítulo em apenas um dia de trabalho. Sem contar que os países da Europa são os que mais pagam por capítulo diário exibido, em comparação à Ásia, América Latina e aos Estados Unidos.

A globalização do mercado fez da telenovela latino-americana uma verdadeira febre nos anos 80 e 90, etapa transnacional, que se mantém até hoje graças à exibição crescente de várias telenovelas em outros territórios, como a Europa e a Ásia. Com o objetivo de chegar ao mercado internacional, as tramas, desde sua produção, apresentam cada vez menos traços da cultura do país produtor, e ficam mais neutras, para agradar ao maior número possível de telespectadores.

O videoteipe levou outra inovação ao México, além da possibilidade de gravação e da exportação: o hábito de utilizar o ponto eletrônico, recurso também adotado pela Venezuela. O ponto, que ainda faz parte da rotina dos atores de telenovelas mexicanas, substitui os longos scripts, dispensa a tarefa de decorar textos, evita as interrupções das cenas, permite trabalhar em ritmos velozes, e, consequentemente, aumentar a produção. O objeto serve também para o diretor da telenovela fazer alterações ou dar dicas de última hora.

Ao mesmo tempo, o artifício impede que as produções mexicanas possam evoluir no quesito naturalidade na interpretação do elenco: como forma de ganhar tempo, o uso do ponto eletrônico para ditar os textos atrapalha a concentração dos atores. Na falta de ensaios, os profissionais acabam com a função de repetir o que a produção está ditando no ouvido. Na escola de formação de atores da Televisa os alunos aprendem a usar o ponto eletrônico desde o início.
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